quinta-feira, 20 de outubro de 2011


SAÚDE MENTAL NO TRABALHO: 
Vamos falar de Assédio Moral?

Saúde Mental no Trabalho não é um assunto fácil ou que se queira abordar ou debater, até porque o tema nos remete a uma questão ainda mais profunda e este sim o principal promotor não da saúde, mas de doença no trabalho: o Assédio Moral. Este sim, um mal que vem sendo o responsável por afastamentos no trabalho, muitas vezes sem que o diagnóstico seja claro ou preciso tanto para o médico que assiste (muitas vezes um generalista) quanto para o próprio trabalhador. Reconhecer que a dor abdominal, a insônia, a consequente irritabilidade, dores de cabeça, a desmotivação e isolamento, as crises de choro, o abuso e consequente dependência de álcool e drogas, problemas cardíacos e respiratórios, a mudança de comportamento, a perda da voz, a depressão, a síndrome do pânico, entre outros sintomas podem estar diretamente relacionados ao Assédio Moral no trabalho. Um mal que adoece silenciosamente e que expõe os equívocos nas relações de trabalho e a comumente fragilidade do trabalhador frente a situações de humilhação sofrida em sua jornada de trabalho com superiores hierárquicos ou com o próprio colega de trabalho.

A questão do Assédio Moral vem ganhando notoriedade como doença do trabalho e um problema de saúde pública a partir de pesquisadores que ousaram dizer que esta prática adoece sim o trabalhador inclusive provando com suas teses, os males por vezes irreversíveis e danosos ao trabalhador vítima deste abuso nas relações de poder. Entendendo também como uma questão de violência, uma vez que fere a dignidade do trabalhador em sua moral, alguns trabalhadores, muito timidamente buscam respaldo judicial e com um B.O. (boletim de ocorrência) nas mãos, processam seus algozes por danos morais, com jurisprudência inclusive, tanto no setor privado, quanto público, no terceiro setor e sindicatos, sem que seja, contudo notícia nas mídias, pois é admitir a falência do sistema perverso em que vivemos: a vítima é execrada e o “algoz”, enaltecido.
Duplamente adoecido e com agravantes de ter que procurar ajuda de profissional específico – médico psiquiatra e psicólogo – a discriminação e o preconceito assumem contornos inimagináveis. Apelidos e piadas absolutamente dispensáveis, a discriminação e o preconceito pelos seus pares quando afastado do trabalho, podem levar a perda do emprego e, sem nenhum exagero, o sofrimento mental causado pelo Assedio Moral pode levar desde sentimentos de vingança até ao suicídio.

Por tudo isto e muito mais é que este tema merece ser refletido e debatido com seriedade por toda a sociedade, vislumbrando um compromisso de ao menos minimizar ou quiçá extinguir o sofrimento mental causado nas relações de trabalho. Que todos sejam de fato parceiros e colaboradores, entendendo que ora você é/está gestor, ora você é colaborador/trabalhador sem que isso o torne mais ou menos importante no processo de produzir ou prestar serviço. A palavra-chave é Respeito!



Maria Grizante. Assistente Social-Sanitarista. Trabalhadora. Promotora de Ações Inclusivas. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário