Servidor é trabalhador? Para trabalhar, servidor tem direito a ter sua saúde física e mental resguardadas e preservadas? Só para esclarecer!
Ironia não? Perdemos não só a saúde naquele serviço de saúde do trabalhador como a vontade de prosseguir em nossa carreira. Como cristã, a inspiração veio através do apóstolo Paulo: “quando pareço fraco é que sou forte”.
Quando aconteceu a transferência para o centro de referência, corria nas diferentes esferas de comunicação do trabalhador (ou "Rádio Peão"), de que era um lugar difícil de trabalhar.
Que outra opção senão aceitar o que nos havia sido imposto? Sim, porque gestor não pergunta onde você contribuirá mais de acordo com o seu perfil, formação, aptidão, afinidades e preferências.
Ele simplesmente usa de seu poder e... Determina. Faz cumprir. Nós, em vão questionamos. Nos submetemos e... Obedecemos. Lembra a música do Zé Ramalho, 'Vida de Gado'.
Tantas foram as situações constrangedoras vividas e ou presenciadas naquele local de trabalho! Rompantes de total abuso de poder e, por palavras e gestos recorrentes, o inconsequente assédio moral. Os de fora, assistiam e, calados, consentiam. Mudos, retornavam às suas zonas de conforto e “proteção” (sendo também vítimas por conta da lei do silêncio). Atitudes solidárias em favor do colega humilhado? Nem pensar! Total omissão. Nada a declarar!
A data da pior das humilhações no local de trabalho foi próxima ao carnaval em fevereiro de 2006. Diante de uma pequena platéia, formada por três servidoras, que assistiam caladas a leitura de uma carta onde a humilhação, o nó na garganta, a impotência, o absoluto e desmedido abuso de poder, dava conta dos "motivos" de nossa transferência, finalizando com um pedido à nossa nova chefia: "compaixão por tão imprestável e desqualificado trabalhador." Nossa honra e dignidade, jogadas no cesto de lixo sem separação com a casca de banana ou o resto do lápis apontado. De posse da cópia da carta, assinada e carimbada, procuramos ajuda de uma advogada. A advogada, após ouvir o relato, em meio ao choro, a dor na alma e a vergonha, nos indicou uma profissional com referência em atender casos de assédio moral no ABC: uma psiquiatra.
A música de Gonzaguinha soava como trilha sonora desde a leitura da tal carta. Lembrávamos da canção na voz de Fagner, com seu sotaque carregado:
“Um homem se humilha/Se castram seu sonho/Seu sonho é sua vida/E vida é trabalho...E sem o seu trabalho/O homem não tem honra/E sem a sua honra/Se morre, se mata...Não dá prá ser feliz/Não dá prá ser feliz...”
Parecia esquete de teatro do oprimido, tantas vezes encenada.
Mas afinal, o que é assédio moral?
Segundo o trabalho realizado pela doutora Margarida Barreto:
“São condutas externas que provocam na vítima o sentimento de humilhação, ofensa, rebaixamento, degradação, entre outras.”
"O assédio moral, em sua silenciosa investida também pode apresentar sintomas que vão desde crises de choro imotivadas até tentativas de suicídio."
Então, é ficarmos atentos as alterações e aos sinais que o nosso próprio corpo apresenta e, conversarmos com familiares, amigos, colegas de trabalho e, até um especialista, a princípio um psicólogo. Se persistirem e até acentuarem sintomas como: alterações de sono (sonolência ou insônia), depressão, dores de cabeça, passar a ingerir bebida alcoólica ou outro tipo de hábito entendendo como dependência, é hora de procurar um psiquiatra. Este profissional pode, com certeza, tratar de sua saúde mental e propor através de tratamento medicamentoso, uma vida saudável novamente.
Agradecimentos:
Nossa maior vitória sobre o Assédio Moral, foi estudar sobre o assunto e, nunca mais ser intimidado por quem quer que seja, que pretenda abusar do poder que tem para nos adoecer.
Nossa maior vitória foi passar por este vale de dor e, levantar a cabeça e ser referência no assunto até para contribuir com outros colegas que padeçam deste mal em seus respectivos locais de trabalho.
Nossa maior vitória foi ter a certeza de que Deus cuida e cuidou de detalhes na nossa recuperação.
Agradeço a Deus, por nos fortalecer neste período e por permitir que o choro se tornasse em riso, entendendo que este riso é a minha família.
À todos os colegas de trabalho do centro de referência, ainda que tenha lhes faltado coragem para denunciar.
Aos “amigos de Jó”, que embora não acreditassem, contemplaram nossa força sendo restaurada dia após dia. Ressoando: “Combati o bom combate e Venci... Guardei a fé!”/Chega de Humilhação.
Participamos em 2004, de um dia de formação no SINDUSP (Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo), onde o tema: Assédio Moral, foi abordado de maneira clara, objetiva e com relatos das vítimas.As palestras e discussões versaram a partir do trabalho desenvolvido pela Doutora Margarida Barreto, intitulado: Assédio Moral, Uma Jornada de Humilhações!
Recentemente, dia 21de Outubro, aproveitando a Semana do Servidor, a mestre e doutoranda em doença mental no trabalho, nos presenteou com uma brilhante e oportuna palestra com o tema:
Saúde Mental no Trabalho: Vamos Falar de Assédio Moral?
VAMOS DIZER NÃO AO ASSÉDIO MORAL NO SERVIÇO PÚBLICO!
DENUNCIAR É EXIGIR MUDANÇAS URGENTES.
Maria Grizante.
Contate-nos pelo e-mail: grizanteas@yahoo.com.br ou pelo facebook: Maria Grizante.
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