Por: Maria Grizante
Esta expressão de um poema de Horácio indica que devemos aproveitar cada momento do dia, ou “colher o dia” ao pé da letra, sem nos afligirmos ou nos abatermos ante o futuro incerto. A despeito de nossos desejos, ansiedades e busca desenfreada de conquistas ambiciosas que podem nunca acontecer de fato, o que causaria um sentimento ainda maior de infelicidade e conseqüente sentimento de fracasso, não importa, vale o momento, o “carpe diem”
Para nós, cristãos, remete-nos a viver a máxima de amar e a confiar em Deus sobre todas as coisas e a amar ao nosso próximo como a nós mesmos. Dentre tantos ensinamentos do filho de Deus, começamos pela consciência tranqüila, e acrescentamos perdoar e pedir perdão; ao amor ao próximo, acrescentamos a premissa incondicional e sem reservas; ao amor a nós mesmos, acrescentamos a dignidade a toda e qualquer tarefa que venhamos a desempenhar; à confiança plena, total e absoluta em Deus, acrescentamos a confiança plena total e absoluta em Deus (não você não leu a mais é isso mesmo!). Ele sabe e conhece perfeitamente bem o que precisamos e necessitamos, ainda que sem mérito algum de nossa parte.
“Carpe Diem” após o Assédio Moral não é tarefa das mais fáceis, seja para cristãos ou não! Custamos a ver o mundo novamente com suas cores sempre lindas e dignas de serem apreciadas com o devido espírito de contemplação, admiração e gratidão ao Criador! Tudo se nos parece cinza, quando não pálido e sem graça. Assédio moral não tem a menor graça. Adoece a alma. Entristece o espírito. Debilita o corpo e faz doer até as entranhas, onde nem o mais poderoso analgésico consegue alcançar. A psicoterapia alivia gradativamente esta dor sem fim. Seu efeito, semelhantemente a um bálsamo, cicatriza feridas lentamente, e o que é melhor, sem esconder em crosta, a purulência que denuncia que foi mal curada. Ou de uma falsa sensação de cura causada pelos efeitos de potentes drogas instigadoras da ‘felicidade’, que como morfina, alivia e maquiam a dor, num bem estar efêmero e volátil. Seguimos sobreviventes a nós mesmos, e qual dependente químicos, em seus respectivos grupos de auto-ajuda, internalizamos a máxima: “só por hoje”!
Só por hoje não vamos ter pena de nós mesmos!
Só por hoje não vamos jogar a toalha e desistir de tudo!
Só por hoje não vamos nos sentir inúteis!
Só por hoje não vamos nos largar no sofá e sucumbirmos!
Só por hoje não vamos querer causar mais danos à nossa saúde mental!
Só por hoje não vamos nos isolar do mundo!
Só por hoje não vamos seguir com medo de encarar desafios!
Só por hoje não vamos sair de casa sem batom!
Só por hoje não vamos odiar quem nos causou tanto mal!
Só por hoje não vamos nos culpar pela violência sofrida!
Só por hoje não vamos desejar que o causador da nossa dor, morra!
Só por hoje não vamos nos virar para o outro lado da cama e ontinuar dormindo, mas espreguiçar e perseguir os sonhos interrompidos!
Só por hoje não vamos duvidar de que somos parte dos sonhos e dos planos de Deus!
Só por hoje não vamos perecer, mas crer que sempre haverá alguém precisando de uma simples palavra de estímulo de vida e não de morte!
Só por hoje não vamos usar de hipocrisia para com Deus e dizer que nos ajude a amar quem nos causou tanto mal!
Só por hoje não vamos nos envergonhar por estarmos em função readaptada e, quando questionados, apresentarmos a dignidade da nova tarefa!
Só por hoje não vamos arrumar desculpas para não visitarmos os amigos e parentes, que se afastaram por não saberem lidar com nosso estado depressivo!
Só por hoje não vamos ter medo de caminhar pelo parque e reencontrar pessoas que não entenderam o nosso sumiço e jogarmos conversa fora!
Só por hoje não vamos deixar aquele livro que começamos e recomeçamos a ler esquecido mais uma vez na estante!
Só por hoje não vamos fingir que aquela pessoa no espelho, que temos olhado de relance, é totalmente estranha para nós!
Só por hoje não vamos achar que esse tal “carpe diem” é algo impossível, inalcansável e inatingível após o assédio moral!
Colher o dia de hoje é um privilegio, significa estarmos vivos! Ainda que seja um aprendizado voltar a andar, falar, equilibrar-se, readquirir confiança e pensar, articulando a devolução do abraço recebido pelos filhos, pais, irmãos, amigos, colegas, de trabalho, vizinhos, pais-espirituais, irmãos de fé e tantas pessoas mais que a infinita sabedoria de Deus colocar em nosso caminho.
Amém.