segunda-feira, 27 de abril de 2009

Assédio e Danos Morais

Assédio moral e danos morais são coisas diferentes?
Sofri assédio moral que gerou um dano moral. Logo, o assédio causou o dano e o dano por sua vez foi em conquência do assédio. Simples assim ou não?!
Quando criança, tinha uma propaganda de biscoitos que passava na televisão que dizia: "vende mais porque é fresquinho, é fresquinho porque vende mais". Vivemos cada vez mais a mercê da criatividade linguistica para justificar o injustificável.
Exemplo disso, são terminologias usadas para o agressor, marido, companheiro ou até namorado, quando este agride a esposa, a companheira ou a namorada, dizendo-se ter tido este um ato de 'desinteligência'. De fato, é desinteligência o ato da agressão de um ser humano para com outro, não só em se tratando de casal, homem, mulher ou outros. Mas não vamos tratar desta questão pois não é aqui que está o nó.
Nosso nó está sim na relação assediador e assediado; o dano em consequência do assédio sofrido e a responsabilização frente a duas coisas: o assédio moral, que aqui entendemos como doença ocupacional que gerou um sofrimento mental, que por sua vez gerou uma incapacidade para o trabalho, que por vez gerou um estresse ocupacional, e que por fim gerou uma readaptação no trabalho. E o dano moral, que aqui entendemos como uma incapacidade na vida pessoal também fruto do sofrimento mental adquirido pelo assédio, gerador de dependência de quem estava até então no lugar de comando da família sendo provedor, orientador, educador e cuidador do grupo, denominado filhos.
Logo, dicotomizar o assédio do dano, é a meu ver 'chover no molhado'. Sim pois, como justificar ou passar um verniz, ou mesmo maqueando uma situação que está clara tanto clinicamente como judicialmente falando?
Temos que ficar atentos a toda e qualquer palavra e termo novo com relação ao assédio moral e o dano moral causado em função deste, senão corremos o sério risco de sermos responsabilizados pelo assediador por ter ele nos assediado! Aí, ele, o assediador passa a ser vítima e nós, assediados, culpados.
A nossa prevenção e por que não dizer proteção, está na importante tarefa de não sermos simplesmente colegas de trabalho, mas amigos, companheiros, camaradas, irmãos, com verdadeiro espírito solidário e de compaixão, sentindo e externado a dor do outro como se fosse nossa, através da denúncia e do testemunho do ato agressivo ou desinteligente sofrido pelo parceiro de trabalho. Aí sim, estaremos coibindo o assédio moral e por conseguinte o dano moral.
Assédio ou dano? Não adianta dourar a pílula ou colorir o que não tem cor. O dano foi fruto do assédio e o assédio causou o dano. Ponto final.

domingo, 19 de abril de 2009

Saúde, Prevenção e Trabalho.

O texto anterior faz parte da data a ser lembrada em 28 de abril que diz respeito ao "Dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidentes de Trabalho" e
ao Dia Mundial de Saúde e Segurança do Trabalho".
a próxima data é o Dia do Trabalho, comemorado em 1° de Maio, que neste ano de crise econômica, com tantas demissões, temos pouco a comemorar.

Grizante/09.

Saúde, Prevenção e Trabalho.

“Saúde é igual à bem estar”.
“Prevenir é melhor que remediar”.
“O trabalho engrandece o homem”.
As frases muito conhecidas, que são de domínio público, reforçam em sua essência, saberes e comportamentos aprendidos acerca de situações onde a saúde, a prevenção e o trabalho caminham em sintonia e, em plena harmonia com a evolução e satisfação do próprio homem. Obviamente respeitando e fazendo valer todas as necessidades implícitas nas relações de “mais valia”.
Seria trágico senão fosse cômico. Ou cômico senão fosse trágico?

No meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei deste acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas
Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra. (Carlos Drummond de Andrade)

No meio do caminho do trabalhador, digno, que ganha o pão de cada dia com suor:
tem a pedra da ganância; do descaso; da violência; da dor física e moral.
A prevenção? Ah! Essa sonhadora que insiste em chegar antes do luto, da dor, da mutilação do corpo e da alma! Quase uma ficção. Povoa sonhos de gente que não sonha sozinho. Sonha junto, em grupos de iguais. Sonhos em ver trabalhadores e pares, não em películas preto e branco lembrando “Tempos Modernos” que virou passado, mas com cores e sons da evolução, onde o mote deveria ser a igualdade e a justiça social.
Quem nos protegerá de nós mesmos de irmos além de limites em favor do outro?

Quero a utopia, quero tudo e mais.
Quero a felicidade nos olhos de um pai.
Quero a alegria, muita gente feliz.
Quero que a justiça reine em meu país. (Milton Nascimento)

A saúde? Vai bem obrigado! Bem para os consultórios médicos e especialistas vários. Ou os convênios de medicina de grupo. Ou o exercício ora nada amistoso de peritos. Também são trabalhadores! Saúde doente. Inspira cuidados. E todo cuidado é pouco. Enfim, ainda que choremos em memória dos que vitimados partiram; dos que estão, sobrevivendo e carentes de proteção, todos parte deste grupo de risco na ótica do capitalismo selvagem e atroz, lembremos: Feliz Dia do Trabalho! Comemorar?

Um homem se humilha se castram seus sonhos,
Seu sonho é sua vida e a vida é o trabalho,
E sem o seu trabalho, um homem não tem honra,
E sem a sua honra se morre e se mata!
Não dá pra ser feliz... (Gonzaguinha)

Um outro mundo é possível!
Apregoa o Fórum Social Mundial.
Tomamos a frase emprestada, e ousamos dizer:
Um outro mundo do trabalho é possível!
Nós temos o olhar! Nós temos que implicar com o olhar!
Nós temos que fomentar mudanças através deste nosso diferenciado olhar!
Façamos, pois a nossa parte e internalizemos a frase:

Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada! (Nelson Mandela)

No silêncio, o luto. Na indignação, a luta.
(Maria Grizante/09)

Cipa - Assédio Moral e Estabilidade

Trabalhador usa lata de lixo como banco para descansar no interior de SP


O Ministério Público do Trabalho confirmou no interior de São Paulo um caso de assédio moral, envolvendo humilhações impostas a um trabalhador. As imagens chocam: o ferramenteiro José Nascimento Souza está sentado sobre um latão de lixo. "Me tiraram o banco, não me dão uniforme, não me dão nada", diz.

O funcionário trabalha em uma fábrica de materiais elétricos. Ele conta que os constrangimentos começaram há oito meses, quando um dos chefes se desligou da empresa. Ele passava até nove horas em pé, e para o descanso improvisou uma lata de lixo. "Ficar o dia inteiro sentado em cima de uma lata e seus companheiros passando e vendo aquela humilhação é complicado", lamenta.

Nascimento acredita que o novo responsável pela firma não confia nele e passou a humilhá-lo. "Meu chefe queria que eu pedisse demissão e abrisse mão dos meus direitos".

Como Nascimento integra a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) tem direito a estabilidade no emprego por dois anos. Ele vai ficar afastado do trabalho, com direito a salário e todos os benefícios, até a conclusão de seu processo contra a empresa.

A versão da empresa, porém, é outra. "Existe assento, mas se ele prefere sentar dessa forma é questão dele", afirma Moacir Macedo, advogado da empresa.
06/04/09 www.viaseg.com.br

O texto, chocante inclusive e não menos reflexivo, foi-me enviado por um colega cipeiro e especialista em segurança do trabalho. Valeu!!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

O Cavalo, o Porco e o Assédio Moral

Um fazendeiro colecionava cavalos e só faltava uma determinada raça. Um dia ele descobriu que o seu vizinho tinha a tal raça. Assim, ele perturbou seu vizinho até conseguir comprá-lo.
Um mês depois o cavalo adoeceu, e ele chamou o veterinário: - Bem, seu cavalo está com uma virose, precisa tomar este medicamento durante 3 dias, no terceiro dia eu retornarei e caso ele não esteja melhor, será necessário sacrificá-lo. Neste momento, o porco escutava toda a conversa.
No dia seguinte deram o medicamento e foram embora.
O porco se aproximou do cavalo e disse: - Força amigo! Levanta daí, senão você será sacrificado!

No segundo dia, deram o medicamento e foram embora.
O porco se aproximou do cavalo e novamente o estimulava: - Vamos lá amigão, levanta senão você vai morrer ! - Vamos lá, eu te ajudo a levantar. Upa!
No terceiro dia deram o medicamento e o veterinário sentenciou: - Infelizmente, vamos ter que sacrificá-lo amanhã, pois a virose pode contaminar os outros cavalos.
Quando foram embora, o porco se aproximou determinado: - Cara, é agora ou nunca, levanta logo! Coragem! Upa! Upa! Isso, devagar! Ótimo! Vamos um, dois, três, legal! Agora mais depressa vai! Fantástico! Corre mais! E mais! Upa! Upa!Você venceu Campeão!
Então, de repente o dono chegou, viu o cavalo correndo no campo e gritou: - Milagre! O cavalo melhorou. Isso merece uma festa! Vamos matar o porco!

Isso acontece com freqüência no ambiente de trabalho. Nem sempre alguém percebe quem é o funcionário que tem o mérito pelo sucesso. Saber viver sem ser reconhecido é uma arte, afinal quantas vezes fazemos o papel do porco amigo ou quantos já nos levantaram e nem o sabor da gratidão puderam dispor?
Se um dia alguém lhe disser que seu trabalho não é o de um profissional, lembre-se:
AMADORES CONSTRUÍRAM A ARCA DE NOÉ. PROFISSIONAIS O TITANIC.
Procure ser uma pessoa de valor, em vez de ser uma pessoa de sucesso!

Este texto poderia terminar aí não fosse o compromisso deste blog em não querer ver morrer o porco, nem ver sacrificado o cavalo. Até por entendermos que, como trabalhadores, ora estamos no lugar do cavalo e ora no lugar do porco. O fazendeiro, tal como o gestor, sempre no lugar de fazendeiro e de gestor. Sacrifica o cavalo, mata o porco, demite o funcionário tratador de ambos e festeja os lucros em sua ilha particular com um suíno ardendo e sendo degustado, sem crise alguma, muito menos de consciência!
Quando iniciamos este blog com a simples missão de informar as questões referentes ao assédio moral praticado sem escrúpulos no setor público, devidamente camuflado e disfarçado de uma falsa ideologia de inclusão, com um viés extremamente demagógico num esforço em ser políticamente correto, nossa intenção era mais de desabafo e, através deste, nos reencontrarmos como seres produtivos, capazes e com perspectiva, e levar outros colegas trabalhadores a esta mesma reflexão e busca da identidade perdida, digo, roubada pelo assediador atroz.
Ao lermos o texto anterior sobre o aumento dos casos de assédio moral com a crise econômica no setor privado, impossível não traçarmos também um paralelo acerca do assédio moral praticado no setor público. Embora velado, silencioso e indiscutivelmente destruidor, o assédio moral cometido na gestão anterior, a poucos meses do atual governo, da sinais de que está bem vivo e presente na vida do servidor. Perguntamos: será que o trabalhador continuará sendo tratado como cavalo, em vias de ir para o sacrifício da transferência compulsória, da exclusão ante a valorização (de novo!) de forasteiros, do descaso com o desvio de função, do abandono e tratamento desumano das "frentes de trabalho", da pífia dose de vacina para desencargo de consciência em forma de um 'aumentozinho' de salário ou seguirá com a churrasqueira armada em praças, parques e demais vias públicas, numa clara e odiosa política de "pão, circo e porco assado"?
O assédio moral por sua vez vai muito bem obrigado, com personagens ilustres da atual administração e (pasmen!) da antiga também, que trocaram de partido para terem cargos garantidos e seguirem na saga de assediadores de carreira. Salvo raríssimos casos isolados de retiradas de poder das mãos de déspotas, outros tantos seguem humilhando e perpetuando a política de desvalorização e acuando o servidor público municipal.
Chefias, líderes, encarregados, gerentes e diretores que praticam o assédio moral indiscriminadamente, denunciados informalmente, uma vez que formalmente ainda persiste o medo, ascenderão em suas carreiras, com a implantação do PCCS?
Diz a lenda que: "onde há fumaça a fogo", logo quem tem ou teve qualquer posição de mando, deveria sim ser investigado, a bem da integridade física e mental do trabalhador e, mediante um levantamento prévio, assim como curso de formação para aprender a lidar com o volátil poder, ser-lhe-ía dado ou não este poder.
Lembrando um amigo filósofo, cuja frase "limpamos o terreno para o cachorro defecar", nós servidores estamos cansados de limparmos o terreno para que outros usufruam do benefício e venham depositar altivamente seus dejetos. E o que é pior, rosnando e olhando feio para nós, que tivemos o trabalho de limpar e preparar o lugar para o forasteiro c......
Em tempo, informamos aos leitores, que a assediadora do CRST por nós denunciada, perdeu sua encarregatura (hehehehe!) e sua outra portaria como coordenadora de programa (não basta ser chefe uma vez tem que ser logo duas vezes). Está trabalhando e atendendo como assistente social mesma unidade. Caso você necessite de orientações quanto ao encaminhamento de CAT (Comunicado de Acidente de Trabalho) ao INSS ou qualquer outra informação sobre a saúde do trabalhador, ela está lá para informá-lo.
Ainda que sejamos amadores e tenhamos medo de sermos sacrificados com uma dose de vacina letal e sucumbirmos vitimados pela virose da imoralidade, do coronelismo, da síndrome do abuso de poder; ainda que sejamos assados com maçã na boca em praça pública, escarnecidos e aviltados em nossos direitos trabalhistas e sociais, seguiremos construíndo não uma arca rudimentar e tosca, que muito embora pela obediência e fé de um homem tenha salvo a vida de muitos, nem uma mega embarcação sujeita a afundar por conta de ufanismos e vaidades, seguiremos como profissionais em processo de aprendizagem na tarefa de preservarmos nossa honra e dignidade.
Nem cavalo. Nem porco. Nem arca. Nem Titanic. Somos Trabalhadores!