sábado, 2 de maio de 2009

02 de Maio - Dia Mundial de Combate ao Assédio Moral

Dia Mundial do Trabalho, 1° de Maio. Muito pouco ou quase nada temos a comemorar, com tanto desrespeito, salários injustos, condições de trabalho indignas, desemprego em nome de crises que para trabalhador nunca passa (vem e fica), soma-se ainda o fato de termos que conviver a cada ano com mega-comemorações com shows e sorteios de "qualquer coisa" para nos homenagear e presentear! Homenagear? Comemorar? Presentear? Só se fosse com medalha de honra ao mérito, pois continuamos sobrevivendo até a isso: comemorações.
Do outro lado do mundo, manifestações violentas marcaram o dia do trabalhador com dia de protestos, de luta e de escancarar a ferida aberta de um capitalismo vil e agonizante. “Nem tanto ao céu nem tanta a terra”. Nem mega eventos e nem violência desenfreada para marcar o dia de quem trabalha e merece respeito.
Não tem como não lembrar Rauzito: "pena eu não ser burro, não sofria tanto". Sim, pois no viés dos mega eventos, com zilhões de pessoas aplaudindo ensandecidos seus artistas preferidos, nos palcos montados em praças e avenidas, todos povoados e acotovelados de filhos de trabalhadores, que não tem sequer o de comer que dirá para ver o artista preferido (e este é o argumento dos patrocinadores destes “mimos”), filhos e filhas da geração "bolsa": família, gás, água e luz, cesta básica, papel higiênico, entre outras, que em comemoração ao dia do trabalhador, ainda sonham em serem contemplados com o bilhete premiado do carro, da casa,da cesta de café da manhã ou de um simples quilo de fubá, tão usado em tempos idos nas denominadas práticas políticas de cabresto. Tudo num cenário festivo para melhor manobrar a massa. Mas, seja como for, evoluímos e os tempos são outros. Evoluímos?
É desta ‘evolução’ (do mal!) nessa nossa vida de trabalhador que trataremos. O Assédio Moral. Que também ganhou o seu dia. Poderíamos até recomeçar este texto assim:
02 de Maio, Dia Mundial de Combate ao Assédio Moral. Mas como combater o vento? O evento parece não ter mais como ser contido.
A discreta, sorrateira, dissimulada e sutil violência psicológica a que não só estamos expostos, mas que temos sofrido nos últimos anos, é exatamente como o vento. Passa incólume, sem cor, sem deixar sinais visíveis a olho nu. Suas marcas, de considerável profundidade, farão estragos certeiros em vidas profissionais e pessoais que levarão tempo para serem cicatrizadas (se é que um dia a ferida da alma possa ser fechada).
O parágrafo único do Projeto de Lei nº 425/99 “considera assédio moral todo tipo de ação, gesto ou palavra que atinja, pela repetição, a auto-estima e a segurança de um indivíduo, fazendo-o duvidar de si e sua competência, implicando em dano ao ambiente de trabalho, à evolução da carreira profissional ou à estabilidade do vínculo empregatício do funcionário, tais como: marcar tarefas com prazos impossíveis, passar alguém de uma área de responsabilidades para funções triviais, tomar crédito de idéias de outros, ignorar ou excluir um funcionário só se dirigindo a ele através de terceiros, sonegar informações de forma insistente, espalhar rumores maliciosos, criticar com persistência, subestimar esforços.”
A OIT (Organização Internacional do Trabalho), desde 2002 tem abordado e reconhecido que a violência no trabalho é um mal que assola várias culturas no mundo do trabalho. Agressões psicológicas, coação, perseguição tem provocado inclusive, tentativas de suicídio conforme apontou a pesquisa da Dra. Margarida Barreto, além de levar a outras conseqüências danosas à saúde do trabalhador como a depressão, fobias e síndrome do pânico.
A falta de motivação e auto-estima faz com que o trabalhador, já acometido de sofrimento mental, perca a capacidade de se impor e de lutar contra o “terrorismo institucional” a que está submetido e vinculado. Necessário ressaltar que o comportamento despótico do agressor é sim de conhecimento da instituição que, conivente e comodamente prefere não abrir mão de seu “capataz institucional” em prol de um serviço que poderia até ter uma qualidade melhor fossem os trabalhadores tratados com o devido respeito a que todo o ser humano tem direito.
Geralmente, os sintomas como, depressão, estresse, ansiedade, fobias e síndrome do pânico, são atribuídos a “pitis” e coisas de mulher no caso. Já o homem, o provedor, não admite e vai a forra muitas vezes no consumo desenfreado de álcool, drogas e idéias de vingança, quando não, suicídas.
Enfim, este é o dia de uma verdadeira reflexão das duas partes:
1)do agressor, aqui denominado também de chefia, encarregado, líder, gerente, diretor, colegas de trabalho: trate o seu semelhante da mesma maneira como você gostaria de ser tratado, sem a proteção de um cargo, pois ele é passageiro. E se até ‘uva passa’, estar em posição de comando e de mando também vai passar. Enquanto que as relações saudáveis e cultiváveis com respeito, permanecerão.
2)Do agredido, aqui denominado trabalhador, não se deixe intimidar ao ponto de não ver saída para a situação vexatória e desumana a que você está exposto. Tudo tem começo, meio e fim. Registre. Faça um diário do assédio. Conte para colegas, pessoas fora do local de trabalho, dê visibilidade ao ato violento a que você está ou foi exposto. Testemunhe em favor do seu colega o ato praticado pelo assediador. Ele poderá retribuí-lo testemunhando em seu favor caso você venha a sofrer do mal que nenhum de nós está isento.
E assim, e só assim, conseguiremos dizer: Dia de Combate ao Assédio Moral, e não só em 02 de Maio, mas em todos os dias de nossa árdua jornada. E com assédio moral a jornada fica mais árdua e penosa. Senão será somente mais um dia no calendário. E daqui a pouco com shows e mega eventos com sorteios de almas que sobraram na estante de reserva dos "ainda" não adoecidos.

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