O salário, necessário também, vem em forma de
sorrisos inesperados e abraço de uma vida inteira esperando por braços.
Continuando, dia 27 de julho logo após escrever o primeiro texto(Servir Sem
Salário), visitei um leprosário. Isto mesmo, um local onde as pessoas com
"lepra" ou Hanseníase, vivem numa comunidade isolada - Pirapitingui- no
município de Itú, interior de São Paulo.
Convidada outras vezes, resisti. Resisti ao amor.
Resisti ao serviço. Resisti ao chamado. Resisti por resistir, pois tinha uma
imagem (como a que quase todos tem), de pessoas com partes de seus corpos
caindo em pedaços. Parecendo filme de Stephen King. Porém vi pessoas sim,
com seus sonhos mutilados, suas vidas indo embora lenta e vagarosamente em
anos e anos de reclusão.
Maldito pré-conceito. Trincheira que insiste em ficar cada vez maior nos
separando de iguais que não tiveram escolha. Pessoas que, como nós, com
necessidades mínimas de um sinmples abraço; ou "jogar conversa fora";
admirar o jardim e o pé de jabuticaba carregado e bem cuidado. Ser e estar
presente, ainda que um dia apenas, na vida daqueles que foram condenados a
segregação, ao isolamento e a restrição de carinho, afeto e... amor.
Os moradores também tem outras necesssidades como alimentos, roupas,
calçados, produtos de higiene entre outros.
Abraços,
Grizante.
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